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Na origem do método o Dr. D. Bois, osteopata em sua formação, já diferenciava as duas abordagens à época:

"Com a osteopatia eu cuidava de um organismo. Com a fasciaterapia eu viso uma pessoa na sua totalidade somato-psiquica."

(Bois, 2008, Sujeito sensível e renovação do eu).

A fasciaterapia é uma terapia corporal, com enfoque curativo e preventivo, que estimula a força de autorregulação do corpo.

Inicialmente a fasciaterapia é uma abordagem terapêutica manual, profunda e relaxante, dos diferentes tecidos do corpo e em particular das fáscias. Essas fáscias, ou tecidos conjuntivos, levam nomes diferentes em função da sua localização. Por exemplo, as fáscias miotensivas são as aponeuroses de ligação entre o esqueleto e as fibras musculares. As membranas que englobam os órgãos torácicos e abdominais denominam-se respectivamente pleura, pericárdio, peritônio. A fáscia que envolve os ossos é chamada periósteo; no revestimento do sistema nervoso encontramos as meninges e mais particularmente a Dura-Máter, por isso o nome de Fascia Dura-Máter na classificação de Bois. Na pele e na hipoderme encontramos a fáscia superficial.

Essa abordagem manual do corpo na fasciaterapia acontece segundo dois tipos de toque.

O toque sintomático se destina diretamente às estruturas anatômicas e à função fisiológica, com o objetivo de estimular o processo de autorregulação do "vivente". Simultaneamente, o toque de relação permite estabelecer um diálogo entre terapeuta e paciente por meio do psicotônus, percebido pelo terapeuta em sua mão.

Essa força é uma adaptação do tônus muscular que possibilita uma leitura de como se organiza a arquitetura tônica do paciente, além de ser o reflexo do estado psíquico da pessoa. Assim, através da escuta das mãos o terapeuta inicia um diálogo silencioso com os tecidos, e acompanha a força de autorregulação, o que normaliza e equilibra os tecidos miofaciais, articulares, cranianos, ósseos e viscerais.

Nessa abordagem o trabalho acessa a profundidade e também a globalidade. Esta força organizada se expressa em movimentos e ritmos organizados. Por isso D. Bois dizia: "os movimentos que eu percebo não estão em acordo com o modelo descrito pela osteopatia. Minhas mãos captam uma animação de outra natureza, mais lenta e que diz respeito não somente à matéria, mas também à pessoa na sua totalidade" (Bois, jornal, 1980, citado no "Sujeito sensível e renovação do eu", 2008). Através desse movimento, denominado movimento interno, há um princípio ativo, curativo e preventivo que o fasciaterapeuta encontra sob suas mãos. É importante saber que a fasciaterapia é um método que permite entre outros efeitos (curativos) um enriquecimento perceptivo para os pacientes, fonte de bem estar e de conscientização de si mesmo numa nova relação ao corpo.

A fisioterapia e a fasciaterapia:

A fasciaterapia se tornou uma disciplina que complementa a formação do fisioterapeuta, na França e nos outros países europeus. É uma ajuda importante na compreensão das patologias e na abordagem terapêutica: propõe um trabalho manual do corpo profundo, sem dor; e também é um método de reeducação baseado na re-harmonização do movimento fisiológico do corpo, referente à biomecânica sensorial, outro conceito do Dr. D. Bois. Existe de fato um reconhecimento dessa terapia no domínio do esporte pela eficiência nas patologias articulares, tendinosas e musculares, como também na recuperação da fadiga e nos problemas do estresse. A pedagogia do movimento é curativa e uma fonte de informações que auxilia na estabilidade mental e emocional.

Em convênio com a Universidade Fernando Pessoa, em Porto, há o acesso reservado para os fisioterapeutas em um Mestrado no campo esportivo.

A formação em fasciaterapia:

No Brasil a formação compreende um ciclo intensivo dividido entre diferentes módulos:

A formação permite conhecer fundamentos teóricos e práticos do método aplicados no (ao) campo da fisioterapia.

Oferece ferramentas para uma ação terapeutica e reeducativa dos pacientes com dores crônicas e agudas. Exerce uma ação especifica sobre efeitos provocados pelo estresse e na relação dor-sofrimento que acompanha as patologias.

Propostas:

Colocar a fasciaterapia no campo da fisioterapia;

Ampliar as dimensões curativas e educativas do toque e do movimento;

Integrar as praticas interpessoais;

Melhorar a compreensão da dor e das dimensões somáticas, cognitivas e afetivas;

Desenvolver uma ligação com as fáscias e suas funções no processo da saúde do ser humano;

Entender o processo de autorregulação somática e psíquica;

Estimular o equilíbrio fisiológico e uma melhor percepção do gesto e da postura.

 

 

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